Pai Francisco
Pai Francisco

 

Por Padmini

 

Este é um livro que poderia trazer perguntas, mas que, antes disso, traz silêncios. Na última página, terminamos quase sem ar, sem saber se voltamos para ler de novo, se fechamos a obra definitivamente, se conversamos com alguém do lado…
Na verdade, nossa proposta é que você não faça nada por um tempo. Respire apenas. Depois volte e, sim, leia de novo. E depois, com certeza, questione-se, intrigue-se, porque o tema aqui é de uma seriedade enorme, e precisamos olhá-lo com atenção.
Um menino narrador, com toda a sua ingenuidade e espontaneidade, nos conta da saudade que sente do pai, de como seu pai é o melhor do mundo, nos conta de sua imensa admiração, porque o pai “sabe de tudo, de todas as coisas que existem no mundo…”.
Esse menino nos cativa, com seu amor tão genuíno à figura paterna.
Mas ele também nos faz apertar o coração, porque seu pai está preso.
Pai ausente
Pai ausente
Esse contexto nos é contado pelo olhar da criança e não sabemos o motivo pelo qual o pai está na prisão. Alguns encorajadores poderiam dizer: “Mas ele deve ter sido preso injustamente”, “Deve ser preso político”, “Deve ter sido coisa bem pouca”…
No entanto, discutir qual foi o crime cometido pelo pai não é o cerne da questão retratada. Afinal, e se o pai dele fosse um criminoso bem “barra pesada”, isso diminuiria o amor imenso que vemos crescer página a página nesse livrinho?
É de uma delicadeza e ingenuidade tão grande esse amor que fica bem claro não ser possível contestá-lo. Criança não é juiz no amor. Criança só ama seus pais, sem quaisquer julgamentos.
Elas até podem não gostar de uma coisa ou outra. Elas até podem fechar o coração em algum ponto, diante de uma situação difícil. Mas o que elas mais desejam, em todo seu íntimo, é amar e serem amadas por seus pais.
E isso mudaria para uma criança cujo pai está na prisão?
E, se mudasse, quais seriam os efeitos experienciados por uma criança impedida de amar? Que marcas ela carregaria em sua vida?
Profundo tudo isso, não é?
Porque, para nós adultos que seguimos um julgamento moral, é difícil entender a profundidade desse amor, mesmo que, com certeza, já tenhamos o sentido em algum ponto de nossa história.
O livro não traz nenhuma solução definitiva, não nos induz diretamente por qual caminho seguir. Apenas nos mostra o ponto de vista da criança que sofre com a ausência paterna. Abre-nos os olhos para ver que esse problema existe.
Trazer o pai de volta não é possível, porque ele deve cumprir a devida punição por seu crime, seja ele qual for. Mas essa criança não pode viver o desprezo pela figura paterna. Seu pai não pode ser diminuído por parentes, colegas, instituições.
Amor sem julgamentos
Amor sem julgamentos
Aceitar a inteireza de nossos pais é um desafio de todos. Imagina, então, para essas crianças, que vivem a singularidade de pais rechaçados pela sociedade? Isso realmente pode lhes fazer um profundo mal e trazer consequências, no futuro, bem piores do que se lhes fosse permitido amar, sem julgamentos.
Essas crianças precisam de suporte para que aceitem sua história, para que tenham coragem de viver esse amor que não julga. Isso é o melhor que podemos lhes oferecer em casos assim.
E foi enorme nossa alegria ao encontrar um livro, para adultos e crianças, que trata dessa questão tão pouco debatida em nossa sociedade.
Desejamos coragem a todos nós para direcionar nosso olhar e nossa ação aos pais Franciscos e suas famílias, que, afinal, são tantas por aí.

PARA COMPRAR!

QUER RECEBER NOSSAS DICAS DE LEITURA?
DEIXE SEU E-MAIL!

Comments
Sobre o amor infantil: e se meu pai for um criminoso?
Classificado como: