O pequeno Patachu
O pequeno Patachu

 

Por Padmini

 

“Patachu habita um universo onde todas as coisas existem para agradá-lo, e o milagre é uma coisa comum em seu mundo. Os acontecimentos fantásticos, aliás, em nada o assustam; ele vive no meio deles como um rouxinol no florido de uma cerejeira”

 

Assim observa o tio Felipe, jornalista francês, em suas aventuras de férias na companhia do sobrinho, o pequeno Patachu, menino de pequeníssimos seis anos, mas de tão grandioso encantamento e olhar imaginativo.
A Editora Piu, em um projeto que garantiu prêmio a Fernanda Scherer, co-fundadora da empresa, lança em 2017, a partir de um financiamento coletivo, os livros: “O pequeno Patachu” e “Mais histórias do pequeno Patachu”.
Patachu permeou a imaginação dos franceses nas décadas de 20 e 30 do século passado, quando suas histórias foram publicadas em revistas e livros. Mas, por algum motivo, sua doçura se perdeu no tempo (ou no espaço – poderia refletir Patachu), e o menino foi por muitos esquecido.
Cenário bucólico
Cenário bucólico
É que ele precisava descansar um pouco, também viajar em outros mundos e, principalmente, deixar que um outro amigo brilhasse. Um amigo já muito conhecido entre nós e que vem agora lhe estender a mão e trazer de volta suas histórias ao público. Esse amigo é o pequeno Príncipe, cuja história conhecemos pelas letras do também francês Antoine de Saint-Exupéry.
Em outras palavras – ou em palavras de adulto – estamos dizendo que existem muitos indícios de que as histórias do pequeno Patachu tenham sido lidas por Saint-Exupéry e influenciado diretamente a criação do famoso pequeno Príncipe. Indícios esses que podem ser analisados pelo viés da lógica, em vista das palavras, do universo imaginativo e até de algumas frases bem parecidas que se repetem nas duas obras. No entanto, o que mais garante essa ligação ou filiação entre os dois personagens é o sentimento. O pequeno Patachu causa em nós leitores o mesmo sentimento de ternura e afeto com que o pequeno Príncipe nos arrebata.
Dorme o menino tão doce
Dorme o menino tão doce
Também podemos observar, nas duas obras, a mesma relação entre a visão prática do adulto e a espontaneidade da criança. Há um mesmo narrador já crescido contando sobre sua relação com uma criança; e o mesmo ímpeto do adulto, aceitando ser fisgado pelo olhar infantil. Percebemos Tio Felipe nas mãos do pequeno Patachu, sem poder conter sua atração por aquele modo de enxergar e viver o mundo.
Os dois pequenos personagens têm uma lógica diante da vida que não se sustenta nesse mundo material e utilitário. Porém, o pequeno Príncipe tem sua visão justificada por ser de outro mundo e, inclusive, por viver isolado nesse lugar distante. Patachu, por outro lado, vive nesse mundo daqui. É um menino comum, como tantas outras crianças, e que vem fazer companhia ao pequeno Príncipe, confirmando que ele não está só. Afinal, são muitas as crianças tão imaginativas quanto esses personagens, esperando apenas a oportunidade e a liberdade (recursos indispensáveis) para viverem suas vidas de pequenas estrelas.
As duas histórias são contadas de uma maneira que parece ao leitor não serem do universo da ficção. Parecem depoimentos reais. Talvez pela semelhança entre o narrador e os autores (Antoine é piloto assim como o narrador do Pequeno Príncipe; Tristan Deréme é jornalista como Tio Felipe e tem um sobrinho com a mesma idade de Patachu). Mas principalmente pela nossa necessidade de que sejam reais. Quem nunca leu “O pequeno Príncipe” e terminou a obra com a sensação e o desejo de que tudo aquilo fosse realidade?
Essa semelhança entre narradores e autores pode ser explicada ao se dizer que os narradores são alter egos dos autores, como se fossem uma parte de suas próprias personalidades.
A essência da criança
A essência da criança
Mas as personagens crianças não seriam também alter egos dos autores? Não seriam essas escritas tentativas de resgate de uma essência perdida ou esquecida da criança? Tão esquecida que pode ter causado essa negligência sobre a obra de Patachu.
Sobre isso podemos, então, perguntar: o quanto cuidamos de nossa essência criança? Será que o pequeno Príncipe, aquele que nos ensina o valor do cuidado, ficaria feliz ao saber que Patachu ficou esquecido?
“Tu é eternamente responsável por aquilo que cativas” – já dizia o principezinho.
O quanto de tempo e carinho dedicamos a nossas crianças? Essas que correm (ou deveriam correr) saltitantes, pequenas e travessas por aí. E também as que habitam nosso interior para sempre, nossas crianças eternas, que são além de qualquer idade.
Nós aqui fomos cativados por Patachu. E queremos cuidar dele e do que ele representa.
Sua bondade, ternura e espontaneidade pedem para serem zeladas e cuidadas em todos os pequenos, sejam crianças ou adultos.
Que Patachu não seja mais esquecido.
E que nos lembremos do Patachu que existe dentro de todos nós.

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Pequeno Patachu e Pequeno Príncipe: pequenos, mas de essências enormes.
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