Caderno de rimas do João
Caderno de rimas do João

 

Por Padmini

 

Rimas são um dos aspectos do poético.
E são elas a base para a brincadeira de poesia proposta na estreia de Lázaro Ramos como autor de livros infantis.
CADERNO DE RIMAS DE JOÃO, publicado pela Pallas Mini, é um livro que nos convida a jogar, sem medo, com a sonoridade das palavras. E o resultado é um livro repleto de musicalidade.
Lógico, então, que a dica é ler em voz alta e resgatar a magia dos repentistas e de outros agentes de nossa cultura popular, que tanto brincam com essa magia da linguagem.
Tem Gilberto Gil!
Tem Gilberto Gil!
O desafio é ir além do medo mesmo. Alguém já teve o sentimento de que seria incapaz de brincar com rimas, achando que isso “é coisa para poucos”? Ou quem nunca ficou maravilhado com as rimas de improviso, sejam do repente, ou do hip hop, e de muitas outras manifestações? As rimas são realmente encantadoras, sempre trazem surpresas e sorrisos.
Então, assim, com muitas rimas, vamos conhecendo o protagonista João e seu caderno.
João é um eu-lírico menino que, a cada página, vai tecendo comentários sobre o significado de alguma palavra. E, por trazer palavras de universos variados (como: Mãe, Pai, Saudade, Arrumar, Sotaque…), o livro se torna bastante abrangente e diverso:
Tem ancestralidade!
Tem ancestralidade!
Há espaço para valorização das origens familiares e da ancestralidade, principalmente no poema “Vovô e Vovó”, que se combina ainda à ilustração impecável de Maurício Negro, com seu destaque à origem e às cores da cultura negra.
Há espaço para falar de temas difíceis, como a morte.
Há espaço para ensinar, mostrando que a rima é uma forma de tornar mais lúdica a aprendizagem (vejam o  poema “Arrumar”!).
Há espaço para reflexão social e pensamento crítico, como nos poemas “Vip”, “Sonegar” e “Candidato”.
Há metalinguagem, ao se refletir sobre a língua, como em “Sotaque”.
Há belas e singelas reflexões existenciais do eu-lírico, como no poema “Autoestima”.
Aliás, o aspecto reflexivo sobre a aceitação de si mesmo perpassa todo o livro.
Tem família!
Tem família!
Afinal, não é à toa que o menino João quis ter um caderno de rimas. O poema rimado traz uma forma de enxergar o mundo mais colorida, e isso é maravilhoso. Mas escrever (não importa o formato), no mais profundo, é uma maneira de buscar sentidos para a vida.
João, no fundo, está em busca de sua identidade.
E sabemos que, em uma sociedade ainda racista, isso pode não ser fácil para crianças negras. João, por meio das rimas, dá sentidos a sua história, e aceita e valoriza a si mesmo, do jeitinho que ele é.
Então, deixemos que ele mesmo diga:

“Mas sempre é bom repetir,

pra da mente não escapar.

Gosto de mim desse jeito.

Assim mesmo como sou.

Rosto, corpo, riso, voz…

Assim mesmo, da maneira

como a família ensinou.”

Boa leitura!


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Fome com inhame: simples como brincar com rimas.
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