foi ele que escreveu a ventantia - rosana rios - maurício negro - pulo do gato

 

Por Padmini

 

 

A biblioteca é apenas um caixote de livros amassados. Mas ali tem poesia. E também no muro despencado, na ladeira do caminho que leva Tui para a escola.
No mais é tudo sol. Quente e seca se apresenta a primavera, nesse lugar que dá cenário ao tão delicado e áspero livro FOI ELE QUE ESCREVEU A VENTANIA, publicado pela Editora Pulo do Gato.
Com sensibilidade aguçada, o texto de Rosana Rios vai nos apresentando Tui, o menino que gosta de poesia – da poesia simples, que fala de sol, vento, sapo, passarinho.
Lindíssimas ilustrações de Maurício Negro.
Lindíssimas ilustrações de Maurício Negro.
Já as ilustrações fulgentes de Maurício Negro avermelham as páginas e nos levam no percurso difícil da vida seca, literalmente e literariamente falando.
Um livro desses sem idade mesmo, que pode ser lido por adulto, jovem e até criança pequena, em uma boa leitura compartilhada.
A história nos conta do nascimento de um poeta, o menino Tui, ao descobrir que pode ser ele a brincar e fazer magia com as palavras, do mesmo jeito que faz o poeta que tanto admira, no livro amassado, rejeitado pela maioria, no caixote-biblioteca de sua escola com poucos recursos.
O poeta admirado é Manoel de Barros, e isso descobrimos pelo paratexto, e pelas pistas ao longo da narrativa. Afinal, quem mais poderia falar com tanto encanto das coisas simples da vida?
Um livro tão inspirador que, naturalmente, a resenha vai nascendo, assim, meio poética também, com um afã de colocar as palavras juntas de forma inesperada, de brincar com sentidos, de criar ventanias.
O amor do menino pela poesia
O amor do menino pela poesia
Em certo momento, Tui lê a poesia de seu poeta Manoel para a turma. E todos o aplaudem.
Ele acredita que seus amigos merecem ter oportunidade de conhecer o livro que fica esquecido no caixote.
E nós também acreditamos na necessidade de dar oportunidades de se conhecer poesia. Não privem suas crianças (e a si mesmos) de mergulhar nesse universo, por talvez achar que “é difícil” ou que “não é para todos”.
Bem mais que difícil, a poesia é bonita – capaz de criar ventanias e águas, mesmo em lugares tão secos.
E esse livro traz um caminho interessante para se aproximar da poesia, usando a narrativa como percurso. Uma narrativa poética, enxurrada de belezas.
O menino escreve e faz a ventania
O menino escreve e faz a ventania
Nós recomendamos muito o mergulho na secura e na ventania do menino Tui. Na simplicidade do menino Manoel de Barros. Na admirável, imensa e pequena, poesia.
Para finalizar, assim como Tui guarda a palavra “sol” do muro despencado, nós separamos pequenos pedaços da poesia do livro, para inspirar.
Boa leitura!

“Tui não quis explicar que já estava brincando. Brincava de ler poesia.”

“Não devia ter calor no mundo da poesia. Só brisas.”

“Feliz, porque sabia que tinha feito um tipo de magia com as palavras.”

PARA COMPRAR


PARA RECEBER NOSSAS DICAS DE LEITURA, DEIXA SEU EMAIL:

Manoel, Tui e a poesia da vida.
Classificado como:                

Deixe uma resposta