SUPER - Editora Pulo do Gato
SUPER – Editora Pulo do Gato

 

Por Padmini

 

Como você via seus pais quando era criança?
Como os imaginava? Qual era a imagem que sua criança tinha daqueles que te geraram ou criaram?
O menino que narra a história de SUPER (nossa dica da semana) vê em seu pai um super-herói, daqueles bem em estilo Batman.
Meu pai é SUPER
Meu pai é SUPER
E esse menino narrador nos traz uma grande sutileza que algumas histórias infantis conseguem ter: mostrar o mundo pelos olhos da criança.
É realmente de uma sutileza enorme essa oportunidade de dar voz a crianças narradoras que, mesmo pela ficção, podem nos ajudar a lembrar ou imaginar como é o mundo sob o ponto de vista infantil.
Pois o pai do nosso narrador-protagonista passa o dia fora, trabalhando, e vive pouco a rotina do filho. Apesar de a mãe trabalhar tanto quanto ele, ou quem sabe até mais, é ao pai que o menino dá sua imagem de super-herói.
Quem é super também se cansa?
Quem é super também se cansa?
O super-herói no imaginário ainda é associado àqueles que vivem grandes e misteriosas aventuras. “Super” vai ser, então, aquele que vive o desconhecido, e não o que nos é casual, conhecido e comum.
“Pobrezinha da mãe”, podemos pensar. E, durante a leitura, pensamos sim, muitas vezes, que é injusta essa falta de reconhecimento.
Mas vivemos tempos de mudanças, não é mesmo? De mudanças e reconfigurações de valores. E este livro está a favor desse tempo de transição.
Será que só os homens trabalham fora, em aventuras desconhecidas para a criança? E será que só as mulheres ficam em casa e cuidam da rotina dos filhos? Será que mulheres também não podem ocupar esse imaginário de SUPER?
E mais ainda: será que só os que trabalham fora podem receber essa alcunha de SUPER? Afinal, não podemos avançar um pouco mais, a fim de valorizar de forma igualitária também o trabalho doméstico e aqueles que estão mais pertinho de nós?
Todos SUPER!
Todos SUPER!
De maneira bem simples, delicada e criativa, o menino narrador nos mostra o percurso vivido em sua casa quanto aos SUPERs que ali habitam, para que possamos também refletir sobre os nossos caminhos.
O livro é lindo, todo em tons de azul e branco, que nos ajudam a mergulhar ainda mais nas nuances do imaginário infantil, e com detalhes de humor, que tornam ainda mais fluida a leitura.
Bem interessante é notar também o senso de complementariedade que a história sugere. Vivemos sempre em time, duplas, trios, equipes em geral. Uma família é assim: além das regras sociais de gênero, muito mais genuíno é a ajuda mútua e o senso de união. Não importam os papéis, o importante é ajudar um ao outro.
As linguagens também se ajudam, portanto, na construção de sentido. No caso deste livro, texto escrito e ilustração contam essa história lado a lado. Definitivamente, um não viveria sem o outro.
Fiquem atentos a essa complementaridade.
E uma boa leitura.
Construam juntos o sentido de suas histórias. :)

PARA COMPRAR:

QUER RECEBER NOSSAS DICAS DE LEITURA? DEIXE SEU E-MAIL:
Faça parte da nossa família:

Comments
Todo mundo é super, concordam?
Classificado como:            

Deixe uma resposta